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Venda de fertilizantes voltará a bater recorde
Postada em 13/07/2010
As vendas de fertilizantes no Brasil em 2010 podem atingir 25 milhões de toneladas. O volume bate o recorde registrado em 2007, quando foram entregues ao consumidor 24,6 milhões de toneladas. Segundo Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria, o processo de recuperação do setor, pós-crise econômica mundial, será puxado pela expectativa de avanço na safra de grãos brasileira. "A compra de fertilizantes pode variar de 23 milhões de toneladas a 25 milhões de toneladas, tudo vai depender também dos preços lá fora e de variação cambial", diz. A cana-de-açúcar (voltada para o etanol), a previsão de ligeiro aumento na área plantada de soja e a recuperação no plantio de algodão devem ditar o ritmo de crescimento na comercialização de fertilizantes. Estatística da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostra que em 2009, o País distribuiu no mercado interno 22,47 milhões de toneladas do produto. Um avanço de apenas 0,18%, se comparado ao volume vendido em 2008. O Brasil é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, atrás da líder China, que é seguida no ranking, pela Índia e pelos Estados Unidos. Para este ano, o setor espera comercializar mais de um milhão de toneladas, ante 2009. "Por outro lado, importamos 65% dos nutrientes usados para fabricação", afirma Carlos Florence, diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (Ama). De acordo com Filho, o Mato Grosso é o maior estado comprador de fertilizantes, seguido pelo Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. "São os estados que mais produzem grãos", afirma. O volume de fertilizantes absorvido em Mato Grosso, para a temporada 2010/2011, deve chegar a cinco milhões de toneladas. O que responde, de acordo com estatística da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), por cerca de 20% da aplicação nacional, se o montante de vendas ficar na casa dos 23 milhões de toneladas. Dados da Ama apontam ainda que o País importa cerca de 90% de potássio, 50% de fósforo e 65% de nitrogênio. Em 2009, as importações brasileiras de fertilizantes somaram 11 milhões de toneladas. "Este ano devemos importar mais, já que em 2009 o estoque de passagem era grande", diz o diretor executivo. Para Florence, as importações representam um custo anual de aproximadamente US$ 5 bilhões no bolso dos agricultores brasileiros. "Se importamos 13 milhões de toneladas, por exemplo, a um custo médio de US$ 400 a tonelada, teremos o peso da dependência internacional", diz. Segundo o analista, nos últimos dois meses os preços de fertilizantes caíram uma média de 8% a 9%. A queda nos valores do nitrogênio variou de 5% a 10%, e do componente fósforo, de 1% a 2%. "Isso já pode ter causado alguma antecipação nas compras", diz. Para Filho, em setembro, quando os produtores se preparam para a safra 2011, o aumento na procura pelo produto deve puxar os preços. "Se subir vai ser dentro dos patamares da queda, entre 8 e 9%", estima o analista, reiterando que não há tendência de alta como nos níveis de 2008. De acordo com levantamento da Scot, em junho de 2008, a ureia chegou a custar R$ 1.318,20, o cloreto de potássio R$ 1.503,61 e o super simples R$ 1.026,03. No mesmo período em 2010, a ureia estava cotada a R$ 897,65, o cloreto de potássio a R$ 1106,56 e o super simples R$ 585,63. "A previsão de safra cheia em cultivo nos Estados Unidos pode ainda pressionar os preços."
Fonte: Agrolink